A doce água do mar


Outro dia, mexendo em uns guardados antigos, me deparei com dois cadernos de redação da época em que eu era adolescente, quando eu tinha 16 ou 17 anos. Fiquei surpresa, e ao mesmo tempo encantada, como quem reencontra uma velha amiga e se espanta como se a estivesse vendo pela primeira vez. Conservo até hoje algumas amigas de infância e quando olho nossas fotos tenho a mesma sensação. Desta vez, porém, o que vi não vinha da aparência física que observamos nas fotos, mas de dentro de mim, coisas que escrevi na época e agora ao ler me pergunto: como eu adolescente podia escrever estas coisas? 

Reconheço em meus escritos a semente da psicóloga que começava a ser cultivada. Compreendo também a fala destas mesmas amigas de infância quando dizem em nossas conversas que eu era meio estranha. Acho que sempre fui uma buscadora de mim mesma e continuo buscando. Sinto que (re)encontrei mais uma parte que compõe este mosaico que é minha alma…  

Agora, transcreverei alguns destes textos na íntegra e com a linguagem da época, e com prazer lhes apresentarei a Vanilda Adolescente… 

 

“Uma pessoa pensa que a água do mar é doce até que a prova e vê que não é. Assim é com sentimentos; a gente fala aos outros para não fazerem ou sentirem algo até que as circunstâncias nos forçam a fazer e sentir este algo e então nós vemos que não é como pensávamos. 

Muitos dizem: não faça isso, não faça aquilo, se eu fosse você não faria isso, mas a questão é que muitas vezes a gente não sabe as razões que levaram as pessoas a agirem da maneira que nós não achamos correta. Até que acontece algo com a gente que nos força a agir da mesma maneira que recriminamos. São nessas circunstâncias que a gente percebe que não deve jamais dar palpites nas vidas dos outros. São nessas circunstâncias também que percebemos que aquilo que nos faz bem agora, talvez não nos faça amanhã, que a atitude que ridicularizamos e repreendemos agora, talvez seja para nós aceitável e até lógica mais tarde. Mas infelizmente não são todas as pessoas que entendem isso porque se uma pessoa experimenta a água do mar e diz que para ela é doce, o paladar é dela, ela acha doce e tudo bem, para ela vai continuar doce, apesar de para mim ser salgada. O que eu quis dizer, para finalizar é que uma pessoa não deve jamais afirmar algo sem ter certeza ou prova e muito menos recriminar alguém sem saber as suas razões.”

 

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